Argentina x Espanha: Por que o resultado de hoje não muda a soberania do Rei Pelé sobre Messi
Mesmo que o astro argentino empilhe taças, o Rei do Futebol permanece em uma prateleira isolada por revolucionar o esporte.
O debate sobre quem é o maior jogador de futebol de todos os tempos ganha um capítulo dramático neste dia 19 de julho, com Messi liderando a Argentina em uma final histórica contra a Espanha.
Para muitos, uma vitória nesta decisão consolidaria o camisa 10 no topo absoluto do esporte. No entanto, por mais que o astro argentino continue acumulando taças e estendendo sua longevidade de forma brilhante, existe uma barreira histórica que o separa do topo definitivo. Mesmo que a Argentina saia de campo vitoriosa hoje, Messi dificilmente alcançará o patamar de Pelé. Isso não é um demérito ao gênio de Rosário, mas sim o reconhecimento de que o Rei do Futebol operou em uma dimensão que vai muito além de estatísticas e contagem de troféus.
Pioneirismo do Rei
Para entender a soberania de Pelé, é preciso olhar primeiro para o pioneirismo. O brasileiro não apenas jogou futebol; ele praticamente inventou o esporte moderno. Quase todos os dribles, fintas e jogadas geniais que hoje aplaudimos em Messi já haviam sido executados por Pelé nos anos 50 e 60, em campos repletos de lama e com bolas pesadas de couro. Pelé foi o arquiteto do futebol espetáculo e o principal responsável por transformar o esporte em uma paixão global, chegando ao ponto de parar uma guerra na Nigéria apenas para que as pessoas pudessem assisti-lo. Messi, por sua vez, é o ápice de um sistema que já estava pronto, uma máquina bilionária e ultraestruturada que o Rei ajudou a fundar.
Eram outros 500...
Outro ponto crucial que joga a favor do brasileiro é o contexto de sua época e a sua perfeição atlética. Pelé jogou em um período em que os cartões amarelos e vermelhos sequer existiam na maior parte de sua carreira, o que significava que os craques eram caçados em campo sem qualquer proteção da arbitragem.
Sobreviver à violência dos defensores daquela era e, ainda assim, marcar mais de mil gols exige um vigor físico e mental incomparável.
Pelé era tecnicamente ainda mais completo...
Além disso, Pelé era o jogador perfeito: ambidestro absoluto, finalizava com a mesma precisão com as duas pernas e possuía uma impulsão vertical que desafiava a gravidade. Messi, embora seja um dos maiores gênios técnicos da história, é um atleta predominantemente canhoto e que raramente se destaca pelo jogo aéreo ou pelo vigor físico bruto.
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Por fim, o peso das grandes conquistas internacionais estabelece uma distância narrativa difícil de ser superada. Pelé conquistou três Copas do Mundo, sendo protagonista ao explodir para o mundo como um adolescente de 17 anos em 1958 e se despedindo como o maestro da maior seleção de todos os tempos em 1970. Enquanto Messi precisou de uma carreira inteira de provações para atingir a maturidade internacional com sua seleção, Pelé dominou o planeta desde os seus primeiros passos no futebol profissional.
Comparar o argentino ao brasileiro, portanto, é confundir o melhor executor da história com o criador da obra. O resultado do grande confronto de hoje contra a Espanha pode aumentar o tamanho da lenda de Messi, mas não muda a hierarquia do futebol. O camisa 10 domina com maestria o esporte do século XXI, mas ele joga as regras e o jogo que o brasileiro moldou. Por tudo o que representou para a cultura mundial e pela revolução técnica que promoveu, o trono de Pelé permanece intocado, em uma prateleira isolada onde nenhum outro jogador jamais conseguirá encostar.
Por Jô Bragança- Rádio Energia do Bem
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