O Mito da Neutralidade de Augusto Cury
Por que o "guru da gestão da mente" divide leitores e especialistas
Por Jô Bragança
Com dezenas de milhões de livros vendidos, Augusto Cury construiu um império editorial vendendo a imagem de um sábio sereno e conciliador. No entanto, por trás das frases brandas e da pseudo-sabedoria de prateleira, o médico psiquiatra passa longe de ser uma unanimidade — tanto para o público quanto para a comunidade científica.
No campo da saúde mental, psicólogos e psiquiatras criticam suas teorias por falta de validação científica rigorosa. A abordagem de Cury reduz quadros complexos de ansiedade e depressão a meras falhas de "gestão da mente", responsabilizando o indivíduo pelo próprio sofrimento e ignorando fatores sociais e econômicos.
Na política, a neutralidade é apenas de fachada. Embora tente se vender como uma figura pacífica de "terceira via" acima das disputas, sua trajetória, histórico empresarial e posicionamentos alinham-se abertamente à extrema-direita e ao bolsonarismo. Cury usa o véu do humanismo e a postura de "salvador da pátria" para mascarar uma agenda conservadora e mercantilizada, provando que nem toda fala mansa representa isenção.
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